Prezados leitores e leitoras,
Sem entrar no mérito do relato abaixo transcrito em parte (na íntegra no link referenciado), a história (ou estória), tal como descrita, é o típico exemplo de atendimento que, se tiver ocorrido mesmo como relatado, é não só anacrônico (do tempo em que o serviço público merecia, em alguns casos, as caricaturas que dele se faziam) e prejudicial à imagem da Instituição, mas, também extremamente negativo para a esmagadora maioria dos servidores que cumprem com zelo e profissionalismo suas funções, e que, em face de um mau exemplo eventual, acabam sendo nivelados por baixo, em uma generalização da imagem deletéria transmitida naquele fato pontual (se tiver ocorrido mesmo como relatado, repito).
Fonte (acesso em 19/12/2008):
http://www.visaopanoramica.com/2008/12/19/na-receita-na-fazenda-e-no-cabulete/“NA RECEITA, NA FAZENDA E NO CABULETÊ.”
“Ontem (18/12) tive que comparecer a unidade da Receita Federal no centro do Rio de Janeiro. O antigo prédio do Ministério da Fazenda ergue-se majestoso, em sua arquitetura maravilhosa e imponente numa das mais movimentadas avenidas da cidade. Em seu interior; ficais de renda, delegados da receita federal e o costumeiro e interminável batalhão da elite burocrática de nossa nação. Afinal de contas, a Receita Federal só pode ser superada em atraso operacional e em burocracia (talvez) pelo INSS.
Vivendo mais um capítulo de minha eterna luta contra meu antigo empregador que, a cada ano, comete “pequenos erros” para que eu seja convidado pelos fiscais da Receita Federal, todo fim de ano, a comparecer à “malha fina”. Na realidade, fico feliz. Pois a cada “equívoco” destes; entro com mais uma ação judicial contra meu ex-empregador e contabilizo alguns trocados em meu “plano de aposentadoria”.
[.....................]“
ADENDO (20/12/2008):
Os comentários a esta postagem complementam nossa opinião a respeito, sobretudo de outro artigo do mesmo autor (http://www.visaopanoramica.com/2008/11/10/funcionarios-publicos-a-corrupcao-e-a-ineficiencia-transformadas-em-arte/).
[Nota do blog:
Dessa narrativa, não nos importa o caso em concreto (por isso, ressalvamos que não entramos no mérito de sua vericidade ou não). Interessa, sim, evitar que a imagem da Instituição, e da esmagadora maioria de servidores zelosos e cumpridores de seus deveres seja maculada por atos pontuais eventualmente cometidos por maus servidores (cuja existência, posso lhe assegurar, é exceção e não regra, como dá a entender em seu artigo - e esse é um ponto sobre o qual sugiro reflexão). Também se quer evitar a propagação de visões distorcidas sobre a categoria.
Nesse sentido, ainda que tenha eventualmente inventado toda essa estória (nessa hipótese, não seria história com H - evidentemente, não tenho elementos para afirmar nem em um sentido, nem em outro), o "modelo" de (mau) atendimento é, de qualquer modo, oportuno como exemplo (ainda que eventualmente fictício) a JAMAIS SER SEGUIDO.
Lembro que, assim como há maus servidores (e não vem ao caso se seu relato é verídico ou não, estou a comentar apenas em tese), há também maus contribuintes. O bom e o mau estão presentes em qualquer agrupamento humano. Sobretudo em uma função como a de cobrar tributos, é muito freqüente que a insatisfação com o cumprimento de uma obrigação tributária transborde para o lado pessoal, que irá recair justamente nos servidores que lidam diretamente com o contribuinte eventualmente insatisfeito. Com isso, não quero dizer que tenha sido esse o caso, mas, em muitas outras situações semelhantes, é exatamente isso o que ocorre.
Agora, no caso concreto, o interesse na apuração não é somente seu, mas de todos os servidores: os que estão diretamente relacionados ao caso, que poderão se defender das pesadas acusações, e os que, não tendo nada a ver com a narrativa, também tiveram, ainda que indiretamente, sua imagem conspurcada (em verdade, a - com todo respeito: equivocada - generalização foi para todo o serviço público).
Nesse sentido, reitero a atenção com a imagem anacrônica de serviço público veiculada em seu blog. A generalização pode ser interessante para um tipo de humor que tem nessa imagem caricaturada de servidores públicos relapsos e desleixosos um reiterado e facilitado "material de trabalho", mas, para a sociedade em geral, é, ao contrário, de todo importante que o serviço público seja visto com a seriedade que merece. A reprodução dessa distorção tende a atrair para o serviço público eventuais interessados em sinecuras. Em suma: é importante preservar a imagem do serviço público, estando do lado que se estiver, servidor ou contribuinte.
Voltando ao seu caso: acredito que já o fez, mas, do contrário, sugiro relatar o caso à Ouvidoria da RFB (http://www.receita.fazenda.gov.br/Principal/Ouvidoria.htm).
************************************************
1) Não acredito na referida pesquisa sobre corrupção. A julgar pelos inimagináveis (para não dizer fantasiosos e denegridores) índices, os supostos entrevistados devem viver em algum mundo imaginário da corruptolândia.
2) O crime de corrupção é um crime que sempre apresenta (pelo menos) dois agentes: o corrupto e o corruptor. Dizer que 20% dos servidores públicos são corruptos é algo assemelhado a dizer que 20% da população brasileira igualmente o é, o que, evidentemente, é um grande absurdo.
3)"Os funcionários públicos no Brasil gozam de um privilégio concedido a poucos mortais em idade produtiva: A estabilidade no emprego."
Não sei que "privilégios" são esses: acessíveis, por concurso público, a qualquer "mortal" que se empenhar nas provas para o cargo almejado. Pelo menos em tese, qualquer um pode ser um "privilegiado". Antes de combater a estabilidade do servidor público, sugiro que busque lutar pela ampliação da estabilidade para os demais trabalhadores.
4) Repito o que escrevi acima sobre a linha humorística que retrata o servidor público como relapso e desleixado (veja acima). As risadas que eventualmente conseguem tirar não compensam os malefícios que fazem à própria sociedade, por retratarem de modo jocoso algo de extrema seriedade, e por reproduzirem uma imagem de serviço público não condizente com seu atual estágio de evolução.
5) Sugiro que se alie no combate aos verdadeiros problemas do serviço público: excesso de burocracia, mau aproveitamento de recursos (materiais e humanos), falta ou carência de transparência e de informações de interesse dos contribuintes, excesso de alterações legislativas editadas sem preparo prévio das partes envolvidas (servidores e usuários dos serviços). Esses problemas de administração não são da alçada da maioria dos servidores, que são antes vítimas em relação às situações decorrentes de más gestões. São os servidores que têm de se virar para tentar contornar as insatisfações resultantes, por exemplo, dos excessos burocráticos, de exigências que têm de fazer, mesmo não encontrando nelas justificativas plausíveis. A maioria não merece a pecha que seu blog está a lhes imputar.
6) Curiosamente, os comentários sobre o referido artigo em seu blog foram, em grande maioria (senão em totalidade, não reparei bem), a reforçar essa visão distorcida dos servidores públicos. Nenhum servidor fez o contraponto que ora faço?
Sds.
Roberto Carlos dos Santos.
*****************
[Nota do blog:
Desconheço os motivos pelos quais se faria uma pesquisa dessa natureza. Estranho o fato de tantos servidores públicos declararem suas pretensas "falta de ética", "corrupção", "falta de profissionalismo" e outras características denegritórias da categoria. Seriam "honestos" apenas na hora de declararem suas "mazelas"?
Como afirmei em outro comentário: corrupção é crime que não se pratica por um só. Sempre é praticado por dois agentes (o ativo e o passivo). Para combater essa prática é preciso, pois, que não se corrompa, nem se aceitem propostas dessa natureza. A resistência a eventuais atos com esse intuito (criação de dificuldades para se gerarem facilidades) é algo que incumbe a toda a sociedade.
Uma frase que gosto muito, de Rudolf von Ihering, em “A luta pelo Direito”, é que: “resistir às injustiças é um dever do indivíduo para consigo mesmo porque é um preceito da existência moral; e é um dever para com a sociedade, porque essa resistência jamais será coroada de êxito, se ela não for geral”.
A primeira ação que o cidadão deve tomar, para evitar ser alvo de propostas ilegais é, antes de tudo, andar dentro da lei. Ao estar dentro da lei, o cidadão se mantém forte para resistir a qualquer ameaça nesse sentido.
E, se ainda assim, sofrer qualquer tipo de abuso, não deve ceder às pressões. Deve, sim, colher provas do fato e se dirigir aos superiores de quem cometeu o eventual ilícito, na linha hierárquica, até que alguém dê uma solução. As respectivas ouvidorias e corregedorias devem ser acionadas.
A pior solução é ficar calado e pagar exigência eventualmente ilegal.
Estará abrindo margens para que outros cidadãos passem pelo mesmo.
Agora, a partir de fatos isolados, generalizar a imagem negativa para todos os servidores é efetivamente algo que, além de injusto, somente tende a piorar o serviço, justamente porque desvaloriza os bons e gera uma imagem atrativa para os que, de fora dos quadros públicos, tendo uma visão já distorcida da coisa pública, e, óbvio, sendo originariamente desonestos, queiram ingressar em cargo público para repetir os (repito: felizmente poucos e eventuais) maus exemplos.
Sds.
Roberto Carlos dos Santos.
]
[vide demais comentários]
19/12/2008 at 19:45
Olá.
Em primeiro lugar; gostaria de agradecer a citação.
E depois comentar que trata-se de uma história real e vivida por mim na data mencionada. Por motivos óbvios não mencionei dados mais precisos para que minha identidade não fosse revelada aos funcionários em questão para que meu processo só se solucionasse no ano de 10.025.
Mas os fatos ocorreram exatamente assim e os diálogos retratados (em relação aos funcionários públicos) foram exatas transcrições da realidade.
Acredite quem quiser. Vivemos um drama e uma recente pesquisa divulgada pelo próprio governo traduz essa situação e reflete em números a verdade dos fatos que narrei. Inclusive fiz um outro artigo sobre essa pesquisa aqui:
http://www.visaopanoramica.com/2008/11/10/funcionarios-publicos-a-corrupcao-e-a-ineficiencia-transformadas-em-arte/
Um abraço.
****************
[Nota do blog:
Dessa narrativa, não nos importa o caso em concreto
(por isso, ressalvamos que não entramos no mérito de sua vericidade ou não). Interessa, sim, evitar que a imagem da Instituição, e da esmagadora maioria de servidores zelosos e cumpridores de seus
deveres seja maculada por atos pontuais eventualmente cometidos por maus servidores (cuja existência, posso lhe assegurar, é exceção e não
regra, como dá a entender em seu artigo - e esse é um ponto sobre o qual sugiro reflexão).
Nesse sentido, ainda que tenha eventualmente inventado toda essa estória (nessa hipótese, não seria história com H - evidentemente, não tenho elementos para afirmar nem em um sentido, nem em outro), o "modelo" de (mau) atendimento é, de qualquer modo, oportuno como exemplo (ainda que eventualmente fictício) a JAMAIS SER SEGUIDO.
Lembro que, assim como há maus servidores (e não vem ao caso se seu relato é verídico ou não, estou a comentar apenas em tese), há também maus contribuintes. O bom e o mau estão presentes em qualquer agrupamento humano. Sobretudo em uma função como a de cobrar tributos, é muito freqüente que a insatisfação com o cumprimento de uma obrigação tributária transborde para o lado pessoal, que irá recair justamente nos servidores que lidam diretamente com o contribuinte eventualmente insatisfeito. Com isso, não quero dizer que tenha sido esse o caso, mas, em muitas outras situações semelhantes, é exatamente isso o que ocorre.
Agora, no caso concreto, o interesse na apuração não é somente seu, mas de todos os servidores: os que estão diretamente relacionados ao caso, que poderão se defender das pesadas acusações, e os que, não tendo nada a ver com a narrativa, também tiveram, ainda que indiretamente, sua imagem conspurcada (em verdade, a - com todo respeito: equivocada - generalização foi para todo o serviço público).
Nesse sentido, reitero a atenção com a imagem anacrônica de serviço público veiculada em seu blog. A generalização pode ser interessante para um tipo de humor que tem nessa imagem caricaturada de servidores públicos relapsos e desleixosos um reiterado e facilitado "material de trabalho", mas, para a sociedade em geral, é, ao contrário, de todo importante que o serviço público seja visto com a seriedade que merece. A reprodução dessa distorção tende a atrair para o serviço público eventuais interessados em sinecuras. Em suma: é importante preservar a imagem do serviço público, estando do lado que se estiver, servidor ou contribuinte.
Voltando ao seu caso: acredito que já o fez, mas, do contrário, sugiro relatar o caso à Ouvidoria da RFB (http://www.receita.fazenda.gov.br/Principal/Ouvidoria.htm).
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PS:
Depois que escrevi as linhas acima, li o referido artigo.
Alguns comentários:
1) Não acredito na referida pesquisa sobre corrupção. A julgar pelos inimagináveis (para não dizer fantasiosos e denegridores) índices, os supostos entrevistados devem viver em algum mundo imaginário da corruptolândia.
2) O crime de corrupção é um crime que sempre apresenta (pelo menos) dois agentes: o corrupto e o corruptor. Dizer que 20% dos servidores públicos são corruptos é algo assemelhado a dizer que 20% da população brasileira igualmente o é, o que, evidentemente, é um grande absurdo.
3)"Os funcionários públicos no Brasil gozam de um privilégio concedido a poucos mortais em idade produtiva: A estabilidade no emprego."
Não sei que "privilégios" são esses: acessíveis, por concurso público, a qualquer "mortal" que se empenhar nas provas para o cargo almejado. Pelo menos em tese, qualquer um pode ser um "privilegiado". Antes de combater a estabilidade do servidor público, sugiro que busque lutar pela ampliação da estabilidade para os demais trabalhadores.
4) Repito o que escrevi acima sobre a linha humorística que retrata o servidor público como relapso e desleixado (veja acima). As risadas que eventualmente conseguem tirar não compensam os malefícios que fazem à própria sociedade, por retratarem de modo jocoso algo de extrema seriedade, e por reproduzirem uma imagem de serviço público não condizente com seu atual estágio de evolução.
5) Sugiro que se alie no combate aos verdadeiros problemas do serviço público: excesso de burocracia, mau aproveitamento de recursos (materiais e humanos), falta ou carência de transparência e de informações de interesse dos contribuintes, excesso de alterações legislativas editadas sem preparo prévio das partes envolvidas (servidores e usuários dos serviços). Esses problemas de administração
não são da alçada da maioria dos servidores, que são antes vítimas em relação às situações decorrentes de más gestões. São os servidores que têm de se virar para tentar contornar as insatisfações resultantes, por exemplo, dos excessos burocráticos, de exigências que têm de fazer, mesmo não encontrando nelas justificativas plausíveis. A maioria não merece a pecha que seu blog está a lhes imputar.
6) Curiosamente, os comentários sobre o referido artigo em seu blog foram, em grande maioria (senão em totalidade, não reparei bem), a reforçar essa visão distorcida dos servidores públicos. Nenhum servidor fez o contraponto que ora faço?
Sds.
Roberto Carlos dos Santos.
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19/12/2008 at 20:11
As questões são simples:
A) Se é um período em que todo o serviço público está em “recesso” (oficial ou não); por que se determina o comparecimento dos contribuintes em vésperas de feriadões e grandes festividades religiosas?
B) Se não é má fé do próprio governo, por que não se processam acertos imediatos (afinal, vivemos na era da informação)mediante ao simples cruzamento das informações. Afinal de contas, no meu caso, O erro de preenchimento é óbvio e gritante? Já que os valores são os mesmos e o prejudicado sou eu. Pois sou isento (como a receita sabe) e tenho valores retidos indevidamente oriundos de indenização trabalhista (que também tem a retenção proibida de imposto conforme determinação no Supremo)? Um simples programa de computador identificaria os darfs (pelos cpf e cgc) dos envolvidos, valores pagos, impostos recolhidos e os erros cometidos no preenchimento ou apresentação da declaração). Mas o cerne da cultura “burrocrática” quer perseguir o cidadão e o contribuinte humilhando-o.
C) Finalmente; por que não se colocam TODAS as informações pertinentes nas intimações. Pede-se uma documentação “X” na intimação e no balcão exige-se mais “Y” (porque agora queremos assim).
Se analisarmos como o funcionalismo público EM SUA MAIORIA atende em repartições como INSS, Receita Federal, Hospitais, Escolas, Delegacias e em todas as repartições onde ele possa exercer um certo poder sobre o contribuinte, veremos claramente que o anacronismo ao qual o senhor se refere é muito mais uma atualidade real do que algo do passado.
São poucos os abnegados e os que realmente querem trabalhar. É triste porque acho que deveria ser uma categoria extremamente valorizada, bem paga e que prestasse relevantes serviços a nossa sociedade.
Mas TODAS as experiências que tive com o contato com funcionários públicos acabou em reclamações por ineficiência, informações erradas e serviço porcamente prestado.
Mais um exemplo: Diário Oficial. Minha empresa precisava comunicar extravio de documentos fiscais. Ao chegar na Imprensa Oficial do [....], um funcionário me indicou uma empresa que, por uma módica quantia, redigia o anúncio na padrão solicitado para publicação. Pedi um manual de orientação e alguns formulários.
Levei para casa e preenchi os formulários como mostrado no manual. Ao retornar e apresentar o anúncio, o funcionário apresentou “um erro”. Era “assim” e eu coloquei “assado”. Refiz e retornei no dia seguinte: Outro funcionário recusou o anúncio dizendo que era “assado” e não “assim”. Mesmo argumentando o que o outro me disse ele foi irredutível e chamou o próximo não me dando mais atenção.
Voltei no dia seguinte armado com um gravador mp3. Ao ser apontado o “erro” no anúncio e “a forma correta de fazê-lo” fui embora e voltei no outro dia.
Quando mais um “erro” apareceu. Informei que acionaria a Polícia e que o que acontecia era muito claro. Criava-se a dificuldade para vender-se a facilidade da tal empresa de redação de anúncios (que povavelmente pagava comissão para eles). Ao mostrar a gravação do dia anterior; milagrosamente meu anúncio “ficou certo” instantaneamente e foi publicado.
Então eu lhe pergunto: Será mesmo “em face de um mau exemplo eventual”?
Eu acho que não e tenho a tal pesquisa feita entre os próprios funcionários públicos para confirmar esse raciocínio. Veja alguns dados interessantes desta pesquisa: Foi publicada pelo G1.
Um em cada cinco funcionários admitiu que exige propinas para cumprir o seu dever,mesmo que saibam que o requerente está no seu direito e não cometeu erro ou crime algum. Só cerca de 51% dos funcionários públicos se acham éticos e mais de 11% desprezam sua função. Quase 30% acham que o servidor público está se lixando para o público que atende e mais de 55% se consideram amadores ou semiprofissionais. Quase 40% são funcionários públicos graças a pistolões e padrinhos políticos e menos da metade se considera preparada para a função que exerce…
Um abraço.
[Nota do blog:
Desconheço os motivos pelos quais se faria uma pesquisa dessa natureza. Estranho o fato de tantos servidores públicos declararem suas pretensas "falta de ética", "corrupção", "falta de profissionalismo" e outras características denegritórias da categoria. Seriam "honestos" apenas na hora de declararem suas "mazelas"?
Como afirmei em outro comentário: corrupção é crime que não se pratica por um só. Sempre é praticado por dois agentes (o ativo e o passivo). Para combater essa prática é preciso, pois, que não se corrompa, nem se aceitem propostas dessa natureza. A resistência a eventuais atos com esse intuito (criação de dificuldades para se gerarem facilidades) é algo que incumbe a toda a sociedade.
Uma frase que gosto muito, de Rudolf von Ihering, em “A luta pelo Direito”, é que: “resistir às injustiças é um dever do indivíduo para consigo mesmo porque é um preceito da existência moral; e é um dever para com a sociedade, porque essa resistência jamais será coroada de êxito, se ela não for geral”.
A primeira ação que o cidadão deve tomar, para evitar ser alvo de propostas ilegais é, antes de tudo, andar dentro da lei. Ao estar dentro da lei, o cidadão se mantém forte para resistir a qualquer ameaça nesse sentido.
E, se ainda assim, sofrer qualquer tipo de abuso, não deve ceder às pressões. Deve, sim, colher provas do fato e se dirigir aos superiores de quem cometeu o eventual ilícito, na linha hierárquica, até que alguém dê uma solução. As respectivas ouvidorias e corregedorias devem ser acionadas.
A pior solução é ficar calado e pagar exigência eventualmente ilegal.
Estará abrindo margens para que outros cidadãos passem pelo mesmo.
Agora, a partir de fatos isolados, generalizar a imagem negativa para todos os servidores é efetivamente algo que, além de injusto, somente tende a piorar o serviço, justamente porque desvaloriza os bons e gera uma imagem atrativa para os que, de fora dos quadros públicos, tendo uma visão já distorcida da coisa pública, e, óbvio, sendo originariamente desonestos, queiram ingressar em cargo público para repetir os (repito: felizmente poucos e eventuais) maus exemplos.
Sds.
Roberto Carlos dos Santos.
]
20/12/2008 at 0:05
[Nota do blog:
Comentários ao final - referências numéricas entre colchetes]
Olá Roberto!
Como respondeu em seu próprio blog, coloco a cópia do e-mail que lhe enviei.
São algumas impressões e, veja bem, entendo completamente sua luta, sua indignção e acredito que uma boa parte dos funcionários honrados reagiriam da mesma forma.
OBS: Se não quiser publicar o comentário tudo ok. Afinal mandei um e-mail para você com quase o mesmo conteúdo. Pode apagá-lo sem problemas para não ficar com informações duplicadas. Só coloquei aqui para o caso do meu e-mail não chegar (tenho tidos alguns problemas com o serdidor do blog) e acrescentei os links para as noticias sobre a tal pesquisa apenas para te informar e complemnetar o e-mail.
Um abraço e bom fina de semana.
Segue:
Olá Roberto!
Eu compreendo sua indignação e, como deve ser um dos competentes e preocupados em mudar a péssima imagem do funcionalismo [1], entendo seu ponto de vista.
Alguns comentários:
Realmente a pesquisa foi feita na [...]. Ela foi realizada pela [...] em [...] e mais algumas cidades. Foi encomendada pela Comissão de Ética da Presidência. Como você pode ver; feita por funcionários públicos para funcionários públicos. Seria mesmo mentirosa? [2]
Concordo com você no que se refere aos dois lados. Há o corrompido porque há o corruptor. Ambos são siameses inseparáveis. O que falta mesmo são leis com eficiência punitiva e longos períodos de cadeia (além de seqüestro de bens). Tomando-se como exemplo a China, onde a corrupção é punida com a morte; teremos a clara visão de que a mesma é algo inerente ao ser humano.
O grande problema que há em nosso país é a facilitação e a permissividade com todos os graus de corrupção. O funcionário leal e trabalhador que não se vende; é o “otário”, o “pobre” que vive com o salário ou o “caxias”. O corrupto é o “esperto”. Se os espertos corressem realmente o risco de perderem tudo o que conseguiram e de passar longos anos na cadeia. Tenha certeza de que haveria bem menos “espertos”. Mas, como percebemos no caso da China mais uma vez, eles sempre existiriam. E por aqui sabemos que seqüestrar os bens de corruptos é um sonho na maioria dos casos (veja o [...] por exemplo).
Dizer que a população brasileira não é corrupta é uma piada. Basta ver os fatos ocorridos recentemente em Santa Catarina e São Paulo. Basta analisar nossas polícias e nossos políticos. De onde eles vêm: Da sociedade; não é mesmo? Uma simples caminhada por qualquer cidade brasileira revela isso. Existem pessoas honestas e íntegras? Lógico. [3]
Contudo, nossa sociedade é corrupta por comodismo e por uma idéia equivocada do que é ser inteligente. Somos o país da Lei de Gérson. E o primeiro modo de resolver isso é reconhecer o problema. Só aí poderemos mudar realmente.
O privilégio da estabilidade é, por si só, um privilégio. Como tudo que é
feito para o bem, foi corrompido por nós. Uma proteção válida contra a sanha de políticos mal intencionados que acabou sendo usada para criar ambientes propícios para a incompetência e preguiça. [4]
A estabilidade deveria acabar e ser substituída por um “conselho de
análise”. Nesse conselho; formado por funcionários, representantes dos sindicatos, pelo governo e membros da sociedade civil; os funcionários relapsos, faltosos ou inadequados poderiam ser desligados (caso suas fichas de serviço não fossem razoáveis). A própria carreira do funcionário deporia a seu favor ou contra ele.
A estabilidade é burra tanto no setor privado quanto no público. E, por isso mesmo, caiu até no seu último bastião (setor privado) que era o Japão. Ela acaba obrigando os competentes a trabalharem mais para compensar os incompetentes e preguiçosos.
Se um funcionário (seja público ou privado) atende mal; é incompetente; é preguiçoso; chega tarde e sai cedo; falta constantemente e está sempre recebendo reclamações dos “clientes”. Deve perder o seu emprego, seja ele qual for. E não mergulhar sua ineficiência num ranço protetor, até a sua aposentadoria.
Se me amostrar onde o serviço público está nesse tal “estágio de evolução” eu fico feliz. As repartições que mais visito [...] e [...]; vivem na Idade da Pedra lascada em matéria de atendimento e de respeito ao ser humano. Sem querer ofender ou tocar em seus brios profissionais. Mas uma coisa é ver uma instituição pela parte técnica e pelos avanços que ela consegue nessa área. Outra bem diferente é estar na “ponta da linha” sendo atendido por um funcionário de mau humor e sem a menor vontade de estar ali.
Não acredita? Consulte os “clientes” que precisam usar o serviço público brasileiro. Garanto-lhe que serão raríssimos os casos de pessoas atendidas de forma cortês, prestativa e eficiente. No [...], ao dirigir-me a um perito que me examinaria com um sorriso e um “bom dia”; ele me respondeu com um lacônico “sente-se” e “me examinou” sem sequer olhar para meu rosto. Excelente atendimento avançado e de alto nível. Vai ver o cara era telepata e eu não entendi. Não é “choro de perdedor”, ele me concedeu o benefício. Mas me senti humilhado e desprezado ao sair dali.
A burocracia é mesmo algo absurdo e estúpido. Devemos compreender que muito desses controles, papéis e procedimentos ridículos foram criados justamente devido ao problema da corrupção e do “jeitinho”. O próprio pregão eletrônico é um exemplo. Uma tentativa real de se automatizar um procedimento burocrático que vem sendo “detonado” pelos funcionários públicos que liberam suas senhas e seus códigos de participação para obter propinas. Não é verdade? [5]
A burocracia é um mal terrível e que deve ser combatida por todos. Mas, infelizmente, ela é criada por nossas próprias mazelas. Não há sistema que resista a um funcionário corrupto (seja no setor público ou no privado).
Mesmo não sendo da alçada dos servidores, eles podem oferecer sugestões e opções de procedimentos. Já que ninguém conhece a melhor maneira de gerir um determinado trabalho do que seus próprios executores. Como qualquer empresa, acredito que nosso governo gostaria muito de ter uma máquina menos custosa e mais rápida. [6]
Do lado do povo; a mesma coisa. O grande problema é que a burocracia favorece os “acertos”; das altas esferas a “porta do guichê”. Aí, não há um real interesse em acabar-se com as dificuldades. Afinal de contas, como se venderiam as facilidades?
Acredite; a visão dos comentaristas não é distorcida. É a real. Apenas é a visão de quem precisa dos serviços. É claro que a senhora que chegou as 12:30h e saiu as 14:30h ao invés de ficar até o fim do expediente se achará certa e se indignará com o escrito. Já não posso dizer o mesmo dos que ficaram na fila com cara de bocós e foram salvos por um funcionário que honrava seu trabalho.
Quer um detalhe que omiti dos artigo? O setor de PROTOCOLO GERAL do prédio da [...][7] estava fechado ontem (quinta-feira) as 15:20h devido a um almoço comemorativo (devia ser o mesmo). Dê uma pesquisada se for possível (não sei o seu estado). Como eu sei disso? Compareci para buscar um esclarecimento (que, obviamente, não consegui).
Quer outro exemplo “clássico”: estava no Ministério do [...]. na
secretaria de uma vara aqui do [...]. Uma fila enorme de gente procurando informações e cinco funcionários tomavam um café do outro lado do balcão. Um único atendia. Quando uma senhora “reclamou”; foi singelamente ignorada e um dos funcionários falou em voz alta para que ela ouvisse: “Daqui a pouco vai
dizer que paga o meu salário… mulher chata!”
Mais uma vez, reintero que meu ponto de vista não é ofender e nem ser averso ao funcionalismo público. Contudo, como cronista e observador do meu tempo (e como protagonista do fato) devo relatá-lo segundo minhas experiências e impressões.
Existem funcionários públicos corretos, trabalhadores, cumpridores do seu dever e que exercem suas funções com empenho e honra?
CLARO QUE SIM!
Mas acho que estes mesmos devem expurgar de seu meio os parasitas e aproveitadores, através da execração pública e não acorbetá-los através da pura e simples indignação com o povo que sofre nas enormes filas. A culpa é de todos nós. Nosso povo padece de uma bovina vontade de não fazer nada e de “se dar bem” com o mínimo esforço possível. Aceita qualquer indignidade e
injustiça desde que não tenha que fazer alguma coisa que represente risco.
Devemos entender que essa visão não nos levará a lugar algum e… mudar.
É muito fácil eu dizer que todos os funcionários públicos são bobos, feios e maus e você retrucar dizendo que tenho uma visão distorcida do funcionalismo.
Não reconhecer os erros é não corrigí-los. Meu ponto de vista é o do usuário contribuinte que é sistematicamente desrespeitado. O seu, é o do funcionário que gosta do que faz; trabalha para evoluir e quer que todos trabalhem com amor.
Mas acredite: você É uma minoria. (em palavras de seus próprios colegas)
[8]
E por isso te dou os parabéns.
Um abraço.
A. Maximus
PS1: Estranhamente, a pesquisa foi retirada do site da presidência da república. Mas neste link: http://www.presidencia.gov.br/estrutura_presidencia/cepub/noticias/ultimas_noticias/etica329/
Ainda se pode observar e ler a metodologia empregada e os objetivos e comprovar que a referida pesquisa foi realizada a pedido da Comissão de Ética da presidência.
PS2: A pesquisa não é fantasiosa como pode ser visto nesses links:
Link para a matéria da pesquisa no G1:
http://g1.globo.com/Noticias/Politica/0,,MUL855411-5601,00-UM+EM+CADA+SERVIDORES+JA+COBROU+PROPINA+DIZ+PESQUISA.html
Link matéria Correio Brasiliense:
http://www.correiobraziliense.com.br/html/sessao_3/2008/11/11/noticia_interna,id_sessao=3&id_noticia=47664/noticia_interna.shtml
http://jbas.wordpress.com/2008/11/09/pesquisa-feita-pela-unb-revela-descaso-com-tica-e-gasto-pblico-um-de-cada-5-servidores-j-cobrou-propina/
[Comentários deste blog:
Prezado Arthurius,
[1]
Você, e outros que têm essa mesma distorcida visão do serviço público – que, aliás, é a mesma que têm os que oferecem exemplos de maus atendimentos – já devem ter sido atendidos centenas de vezes, em repartições públicas, de modo cordial e atencioso. Infelizmente, o que fica registrado na memória das pessoas são os poucos exemplos
negativos. Os bons atendimentos são logo esquecidos. Afinal de contas, era exatamente isso que você esperava. Em seu subconsciente, fica a mensagem: não fez mais do que sua obrigação. E é isso. A imagem de serviço público que fica não é a da centena de bons atendimentos, mas a de um ou alguns poucos problemas que teve com servidores que não honram a categoria. Essa característica humana (a de perceber com maior ênfase os fatos negativos) contribui para essa percepção equivocada sobre serviço público.
[2]
Não duvido da seriedade da pesquisa, ou das entidades envolvidas. Duvido, sim, da correção de seus resultados. Tenho mais de vinte anos de serviço público. De lá para cá, somente vejo melhorias na qualidade do atendimento, e na seleção dos quadros. Claro que
minha visão é restrita aos órgãos em que atuei (Receita Federal e Justiça Federal de Primeira Instância, no RJ, esta última apenas por dois anos). A Corregedoria da Receita Federal, por exemplo, é bastante atuante. Qualquer um pode verificar o quanto há de
servidores demitidos, nos últimos anos, por iniciativa da própria RFB. E os sindicatos têm apoiado as ações tendentes a expurgar dos quadros aqueles que cometem ilícitos passíveis de demissão (obviamente, dando-se ao servidor o direito ao contraditório e à ampla defesa).
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“Piada”, com todo o respeito, é fazer tais generalizações. Segundo o censo de 2007, o País tem uma população de 183.987.291 milhões de habitantes (vide
http://www.brasil.gov.br/pais/indicadores/categoria_demograficos/categoria_view/). Daí, você vê, nos noticiários, maus exemplos praticados por meia dúzia de cidadãos desonestos, e se precipita em afirmar que todos os demais milhões de habitantes têm o mesmo comportamento. O exagero é evidente!
Da mesma forma ocorre com policiais e políticos. Como em todo agrupamento humano, há bons e maus exemplos. Conheço inúmeros bons exemplos tanto de uma classe, quanto de outra. Novamente, a imagem que fica é a negativa. A população costuma lembrar bem
de um fato negativo, mas facilmente se esquece daquele policial que a tirou de uma situação de aperto; facilmente se esquece de uma lei benéfica à sociedade partida da iniciativa de um político que honra sua classe.
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Se é correto que se devam estipular medidas que combatam o eventual desleixo de servidores públicos, por outro lado, também é necessário resguardá-los de todo tipo de assédio (moral ou mesmo sexual) que pode advir de algo mal estruturado nesse sentido.
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Não tenho conhecimento dessa prática. Se você tem, e tem provas, recomendo que denuncie. Fará um grande benefício não só para o serviço, quanto para os próprios servidores de bem (maioria esmagadora no serviço público).
Na curta experiência que tive como pregoeiro e chefe de um setor de licitações, a primeira providência que fiz foi adotar o sistema de pregões eletrônicos. Ao contrário do que afirma, é, além de moderno, um excelente instrumento de isenção e de transparência. O pregoeiro (na modalidade de pregão eletrônico) não mantém nenhum contacto com os licitantes (não precisa nem saber quem está on-line). Todas as conversas são registradas na ata eletrônica. O próprio sistema se encarrega da maioria dos eventos.
A propósito desse tema, devo dizer que a legislação de licitações ainda é extremamente burocratizada. Por ser um serviço que cuida de compras públicas, requer bastantes controles, o que acaba dificultando muito a atividade. Como natural, a maioria dos passos
têm de ser publicada. É comum o fato de o servidor ter de repetir uma série de procedimentos, se algo atrasar (um parecer, por exemplo).
E, na sistemática atual, compra-se muito material que se traduz em perda de eficiência.
Dou um exemplo singelo: sofro com os grampeadores que tenho para trabalhar (já até pensei em comprar o meu próprio). Se fosse contar as vezes em que tenho de parar o serviço para retirar os grampos presos, seguramente o tempo gasto não compensaria o baixo custo da peça. Já substitui uns três. Não adianta. São de péssima qualidade mesmo.
Não culpo o setor de licitações (são verdadeiros abnegados os que se dispõem a trabalhar com tantas dificuldades – somente quem já trabalhou nesse serviço pode dar o devido valor). A legislação (até onde sei, não mudou muito, de lá para cá) determina a compra do
material de menor preço. Na prática, é muito difícil eliminar da concorrência os produtos de má qualidade. Um edital muito restritivo pode ser impugnado sob a alegação de “direcionamento da licitação”. Abaixo, dispositivo da Lei n. 10.520, de 2002 (que trata dos
pregões):
”
Art. 4º [...]
X – para julgamento e classificação das propostas, será adotado o critério de menor preço, observados os prazos máximos para fornecimento, as especificações técnicas e parâmetros mínimos de desempenho e qualidade definidos no edital;”
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Tem toda a razão quando afirma que “ninguém conhece a melhor maneira de gerir um determinado trabalho do que seus próprios executores”. Em nossa visão, deve ser sempre bastante estimulada a participação de servidores “de execução” na elaboração e planejamento de rotinas, procedimentos e instruções normativas. A experiência individual de cada servidor pode e deve ser aproveitada. Para isso, é preciso muni-los de instrumentos de participação, que ora estão em nítida carência. Uma das funções deste blog é tentar suprir um pouco essa lacuna.
[7]
Se já não o fez, sugiro enviar o relato deste caso para a Ouvidoria da RFB (o link já foi disponibilizado por aqui, e também se encontra na parte inferior da página principal da Receita Federal do Brasil na Internet (www.receita.fazenda.gov.br).
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Será que os problemas de maus atendimentos são exclusividade do setor público?
Respondo: não, absolutamente, não. Posso te dar exemplos de serviços privados (embora sob regime de concessão de serviço de natureza pública) que são campeões de reclamações nos Juizados Especiais Cíveis. Já exerci o munus publicum (serviço voluntariado e não remunerado) de Conciliador, em Juizado Especial Cível. Posso te
assegurar que há empresas que mantém uma equipe constante de prepostos em cada Juizado, dado o imenso volume de reclamações que têm contra si.
Também já sofri, pessoalmente, mau atendimento em várias dessas empresas. Todas as mazelas que se imputam ao serviço público estão presentes: desorganização, burocracia, mau humor de funcionários, filas gigantescas.
Passemos a um outro setor: o de transporte aeroviário. Igualmente, já vi inúmeros casos de reclamações quanto a serviços prestados por empresas aéreas. Os recentes casos ocorridos nesse setor dão bem essa noção. Eu mesmo, nessa época, já fiquei preso em um
aeroporto por mais de dez horas.
Torno a te perguntar: mau atendimento é exclusividade do serviço público? Não. A questão tem muito a ver com o gigantismo da demanda. Veja que, em todos esses exemplos, as
instituições têm de lidar com um grande número de clientes (contribuintes no nosso caso). Dentro de um universo tão amplo, é comum encontrar problemas pontuais, que vão, sim,
refletir negativamente na imagem da Instituição.
Sds.
Roberto Carlos dos Santos. ]
20/12/2008 at 18:01
O artigo do sr.Arthurius Maximus serve de paradigma para o CAOS de atendimento na Receita Federal anunciado pelos principais meios mediáticos e ilustraria uma boa aula de “introdução de atendimento ao público” para os novos funcionários integrantes da Carreira de Auditoria da RF aprovados nos futuros concursos e para aqueles que se encontram, atualmente, em exercício em postos de atendimento ao público. O digno missivista mostra o pensamento de milhares contribuintes que são maltratados na sala de entrada do serviço público e não tem repostas em tempo real de suas demandas dadas pelo servidor público. Em geral são contribuinte exigentes, de boa indole e que não suportam o abuso de poder e a emperração da máquina pública. Eu acho que o digno senhor A. Maximus não iria perder seu tempo “À TOA”, só por caprichos humoristas. Ele desabafou, fez uma terapia botando para fora toda sua ira e indignação atraves da arte de escrever, e diga-se de passagem, 90% do que escreveu é verdade e se aplica ao mau funcionmento da maquina pública brasileira.
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[Nota do blog:
Não conheço o Sr. Arthurius (o próprio nome é fictício, conforme informa), muito menos os fatos narrados. Assim, sem conhecer nada a respeito do relato, não dá para se afirmar nada. Em tese, pode ter ocorrido qualquer coisa, inclusive insatisfação - relativamente comum - com alguma cobrança tributária legítima (quem está de fora não tem condições de afirmar nada, nem em um sentido, nem em outro).
De qualquer modo, sendo verdadeiro ou não o relato, a imagem do serviço público sai prejudicada: se verdadeiro, pelo mau atendimento relatado (verdadeiramente abominável, conforme imagem traçada naquelas linhas), e pela generalização que se fez a toda a classe; se falso, pior ainda: por algo que sequer existiu.
Ainda que verdadeiro o relato, a generalização é por demais injusta para com os demais servidores públicos. Façamos uma analogia. Peguemos qualquer profissão. Digamos que um integrante dessa profissão (um profissional liberal de qualquer área, por exemplo) tenha cometido algum ato censurável. Será que, a partir daí, alguém pode divulgar que toda sua categoria é acostumada a cometer as mesmas falhas? Quais os fundamentos para a ofensa gratuita a quem não tem nada a ver com a situação?
Não deixo de estranhar, também, que um servidor público admita como verdadeira essa visão distorcida do serviço público. Ainda mais quando vivemos a mesma realidade.
Sds.
Roberto Carlos dos Santos.]
21/12/2008 at 12:51
Prezados leitores e leitoras,
Ainda sobre esse assunto:
http://rfbalemdosmuros.wordpress.com/2008/12/21/emocao-no-servico-de-atendimento-ao-publico/
Sds.
Roberto C. Santos.