Prezados leitores,
Impressionante a eficiência da nova equipe da cúpula da RFB. Em menos de dois meses (e, conforme a notícia abaixo, o novo secretário-adjunto assumiu o cargo na semana passada), já está a conseguir “amenizar o caos no atendimento“. Pelo menos, uma coisa é certa: com o agendamento de senhas virtuais, pela Internet, tende-se a amenizar a politicamente incômoda existência de imensas filas de atendimento presencial, nos Centros de Atendimento ao Contribuinte, que, desse modo, continuam a existir, com a mesma, ou maior intensidade, mas, como a triagem passa a ser majoritariamente virtual, ficam assim “invisíveis” aos olhos da opinião pública.
É, no mínimo, enigmática a expressão: “a nova estrutura vai definir melhor “quem manda e quem obedece”". Será que, a esta altura dos fatos, ainda não há clareza sobre uma coisa dessas? Evidentemente, “quem manda” são as verdadeiras autoridades administrativas da RFB: os servidores com poder de decisão e, no que tange às questões de gestão de pessoal, os que têm poder hierárquico em relação a seus respectivos subordinados: os chefes, de um modo geral. Como esse entendimento transcende à RFB, não deve, ou não deveria, mudar muita coisa. A menos que, subjacente a esse discurso, esteja a defesa, consciente ou subconsciente, da campanha, do sindicato dos Auditores-Fiscais, pelo “resgate da autoridade fiscal”.
Aliás, cabe aqui uma reflexão: alguém resgata algo que não perdeu?
Logicamente:
1) Se perdeu, cabe efetivamente o resgate;
2) Se nunca teve, não é apropriada a menção a resgate;
3) Se já tem, também não cabe o resgate.
Daí que a conclusão lógica dessa campanha sindical, a partir de seus próprios pressupostos, é de que houve uma pretensa perda de autoridade. Como autoridade implica poder de decisão, os promotores dessa campanha julgam, ou tentam convencer a opinião pública, que perderam algum poder de decisão, inerente ao próprio exercício do cargo, que deva ser “resgatado”. Bem, se a campanha fosse somente para valorizar o cargo de Auditor-Fiscal, nada teríamos a lamentar. Ocorre que o discurso tende ao acirramento de injustificados e ilegítimos (porquanto não compatíveis com as situações fáticas) monopólios atributivos, e ao aumento das resistências à evolução funcional de outros cargos (no que nos diz respeito, ao cargo de Analista-Tributário), em prejuízo da higidez do ambiente de trabalho e da eficiência da Administração Tributária.
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25/09/2008 – 17h32
Caos no atendimento da Receita já foi amenizado, diz novo secretário-adjunto
Fonte (acesso em 25/09/2008):
http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u448926.shtml
EDUARDO CUCOLO
da Folha Online, em Brasília
O novo secretário-adjunto da Receita Federal, [...], afirmou hoje que o “caos” nos postos de atendimento do órgão ao público está sendo amenizado.
No início de agosto, logo após assumir o cargo, a nova secretária da Receita Federal, [...], disse que a criação da Super Receita gerou problemas no atendimento ao cidadão. Segundo a secretária, o problema estaria na integração dos funcionários que vieram da Previdência.
Hoje, o novo secretário-adjunto, que assumiu o cargo na semana passada, disse que foi criado um grupo de trabalho para identificar esses problemas de atendimento e apontar soluções. “Já foi bem amenizado”, disse.
Cartaxo afirmou também que na próxima semana deve ser apresentado o plano de reestruturação da Receita. “Algumas atividades foram reagrupadas.”
Ele não quis adiantar as medidas que serão anunciadas pela secretária e pelo ministro [...] (Fazenda), mas afirmou a nova estrutura vai definir melhor “quem manda e quem obedece”.
As mudanças na Receita começaram no final de julho com a demissão do ex-secretário [...], que estava no cargo desde a época do ex-ministro [...]. [...]também havia sido secretário-adjunto no governo FHC.
Desde que assumiu o cargo, [...] já nomeou dois novos adjuntos –ainda se espera a indicação de mais dois subordinados– e trocou o comando da Receita em São Paulo, principal comando regional do país.
O novo secretário-adjunto participou hoje da divulgação da arrecadação em agosto, que cresceu 10,33% nos oito primeiros meses de 2008 e atingiu novo recorde. Mesmo com o fim da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), a Receita Federal arrecadou R$ 452 bilhões no período.
26/09/2008 at 15:10
Louvável a atitude da nova administração em querer imprimir novo ritmo ao funcionamento da RFB. Não é questão SÓ de arrecadar mais, mas de transmitir à sociedade o sentimento de que tal arrecadação está sendo feita com justiça. E há ainda outras questões tendendes a fazer com que a economia funcione melhor e que precisam ser resolvidas. Quanto a mandar/obedecer, pouco importa, se as ordens forem coerentes e a máquina estiver preparada para funcionar a contento. Nós analistas saberemos fazer nossa parte.
27/09/2008 at 23:06
A nobre função de carregar o piano fica sempre com os ANALISTAS TRIBUTÁRIOS. Depois de fazermos a faxina institucional,ainda detectamos e CORRIGIMOS os erros nos sistemas de TI.
29/09/2008 at 17:35
Que reestruturação é essa?? A mensagem do secretário-adjunto, “Ota Cartaxo”, realmente nos põe muito a pensar sobre que futuro para a RFB está sendo engendrado pela atual alta cúpula da administração.
Como superintendentes que estão à frente do órgão há anos sequer estão sendo ouvidos para se tomar decisões quanto à reestruturação?
Será que a “fórmula mágica” que “salvará” a Receita Federal do caos que espreita e “salvará” os contribuintes das filas, morosidade das restituições e dos demais processos já existia e estava sendo guardada por seus inventores a sete chaves à espera de uma oportunidade?
Seria algo como se um grupo de cientistas tivesse a vacina contra o câncer e não divulgasse antes da ocasião que lhe fosse conveniente.
Isso muito me preocupa. Será que os nossos atuais e alguns ex-administradores eram tão incompetentes assim? Ainda mais depois de uma declaração da administração atual, afirmando que, em relação às mudanças, seria observado o quesito COMPETÊNCIA.
Quantos superintendentes e delegados que chegavam a se envolver como se fosse, além de um problema profissional, um problema pessoal, uma questão de honra, resolver as mazelas da Receita.
Bem, de qualquer forma, espero que os novos administradores sejam iluminados em seus passos, aliando competência a prudência e bom-senso em suas decisões e no trato com o que de mais delicado e precioso existe na Receita Federal, TODOS OS SEUS FUNCIONÁRIOS.
Não posso deixar de comentar duas afirmações do secretário-adjunto.
Acho que o caos realmente no atendimento existe e não está sendo amenizado, mas alimentado dia-a-dia com a limitação de senhas devido à
necessidade de treinamento de servidores da RFB de uma forma geral, devido à realocação de pessoal de setores que já trabalhavam defasados, devido à herança dos serviços previdenciários, devido à dificuldade de se encontrar auditores oriundos da previdência que dominassem os procedimentos com a segurança necessária para se ensinar e, principalmente, pela falta de previsão de concurso para Analistas e Auditores.
A outra abordagem à mensagem do secretário-adjunto é que a nova estrutura irá definir “quem manda e quem obedece”.
Francamente!! Desde que entrei na Receita e em todos os locais que trabalhei, inclusive na iniciativa privada, sempre ficou bem claro que
quem manda é o chefe e quem obedece são os seus subordinados. Nunca trabalhei onde existisse poder paralelo e espero que não seja essa a primeira vez, pois aí sim, o CAOS estará instalado definitivamente em
nossa instituição.