Bernardo: negociação com auditores está esgotada
| 28.05.2008 | 17h56
http://portalexame.abril.com.br/ae/economia/m0160621.html
Por Renata Veríssimo
Agência Estado
O ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Paulo Bernardo, afirmou hoje que o governo já esgotou a possibilidade de negociação com os auditores fiscais da Receita Federal, que ameaçam entrar novamente em greve a partir de segunda-feira. Ele lembrou que o governo concordou em discutir um ou outro ponto de menos impacto econômico, mas avisou que não tem condições de atender à reivindicação de um teto salarial de R$ 19,6 mil para os auditores em 2009.
“Não sei se vão fazer greve, mas espero que isso não aconteça. A greve já foi declarada ilegal, e nós já começamos a descontar o ponto (relativo aos dias parados) e não teremos outro caminho”, afirmou o ministro do Planejamento.
Bernardo admitiu que o governo pode dar poderes aos analistas tributários para que eles assumam a função dos auditores fiscais, caso estes reiniciem a paralisação. O ministro argumentou que, se os auditores reiniciarem a greve, será um movimento que não terá fim, porque o governo não tem como melhorar a proposta e ficará impedido de mandar ao Congresso projetos de novos reajustes salariais a partir de 4 de julho, por causa da Lei Eleitoral.
“Se eles não concordarem com a nossa proposta atual, vamos acabar é economizando esse dinheiro”, ironizou Paulo Bernardo.
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Comentários do blog:
1) É antiga a reivindicação dos Analistas-Tributários pelo reconhecimento de uma parcela significativa de atribuições que exercem efetivamente na prática, e que ainda não estão expressas em lei. Esse pleito é decorrência natural da evolução do cargo. Entendemos que há espaços para uma atuação harmônica e integrada das categorias, sobretudo se a carreira Auditoria passar por uma adequação à ordem constitucional (ingresso exclusivo pelo cargo de Analista-Tributário e evolução ao longo de toda a estrutura).
2) Perguntamos: se há esse entendimento de que os Analistas-Tributários podem ser melhor aproveitados, porque não se converter essa intenção, desde logo (já com um bom atraso), na prática ? A sociedade tem de esperar a deflagração de nova greve?
3) Esse anúncio (que soa como virtual “ameaça” para os monopólios atributivos de Auditores-Fiscais, e como vaga promessa de reconhecimento para os Analistas-Tributários), se não vier acompanhado das referidas medidas práticas de correção da carreira, tende, naturalmente, a apenas acirrar as já existentes divergências entre as categorias (com prejuízos para o ambiente de trabalho facilmente estimáveis). Ainda que a lembrança possa ser inoportuna, o clássico de Maquiavel (O Príncipe) retrata situações que, esperamos, não estejam a ocorrer nem na mais remota semelhança:
“Os nossos ancestrais, e os que eram considerados prudentes, costumavam dizer que Pistóia devia ser conservada pela divisão dos partidos, e Pisa pelas fortalezas, e desse modo procediam de modo diverso nas cidades conquistadas para poder mantê-las mais facilmente. Tal era talvez a política mais sábia, naqueles tempos em que a Itália estava de algum modo equilibrada, porém não acredito que possa ser regra hoje; não creio que as divisões trouxessem qualquer benefício; antes, ao contrário, sucede que, quando se aproxima o inimigo, as cidades divididas são logo perdidas; porque a parte mais fraca irá para as forças externas e a outra não se poderá conservar. Os Venezianos, atendendo, ao que eu acredito, às razões supraditas, costumavam fomentar as facções guelfas e gibelínas nas cidades que dominavam. E, ainda que não os deixassem ir até a luta, alimentavam essas discórdias para que, entretidos os cidadãos naquelas suas controvérsias, não se unissem contra eles. Isso, como se viu, não surtiu bons resultados para eles porque, sendo os Venezianos destroçados em Vailá, algumas daquelas cidades criaram força e arrebataram-lhes todos os territórios. Tal política põe à mostra, pois, a fraqueza do príncipe, porque em principado poderoso nunca seriam permitidas tais divisões; elas apenas aproveitam nos tempos de paz, podendo, por esse sistema, governar mais facilmente os súditos. Vindo, porém, a guerra, nota-se a sua inutilidade.”
29/05/2008 at 22:10
Parabéns por trazer mais um importante assunto a debate, mas acho que você peca em dois pontos:
1) a reivindicação pelo reconhecimento de atividades executadas por nós Analistas Tributários não é decorrência natural da evolução do cargo, mas apenas uma pequena parcela do necessário resgate de atribuições que desempenhávamos até quando o cargo exigia apenas nível médio concluído que nos foram usurpadas paulatinamente, a despeito daquela evolução intelectual que você cita.
2) se há o reconhecimento de que temos capacidade bastante (não confundir com competência, essa o governo dá por lei até a quem não tem capacidade, como alguns AF) para substituí-los no caso de greve com a concessão de atribuições mais amplas, o interesse público determina que tal instrumento seja concedido desde já. Não há nada que justifique o contrário, pois é dever do gestor público o máximo aproveitamento de seus recursos humanos, financeiros e materiais. Do contrário, trata-se de improbidade administrativa confessa.
29/05/2008 at 23:36
[...] É importante levar ao conhecimento dos que passam por aqui, os pontos levantados pelo colega Roberto Carlos, analista-tributário do RJ, em seu blog RFB Além dos muros corporativistas: [...]
30/05/2008 at 7:14
[...] Sindireceita Salvador Por uma carreira de verdade! « Calma no Brasil! O reajuste está garantido. Analistas-Tributá rios devem ter seu reconhecimento pleno, independentemente da ocorrência de greve na RFB Maio 30, 2008 Blog RFB Além dos muros corporativistas: [...]
30/05/2008 at 7:49
[...] Sindireceita Salvador Por uma carreira de verdade! « Calma no Brasil! O reajuste está garantido. Maio 30, 2008 Blog RFB Além dos muros corporativistas: [...]
09/06/2008 at 15:20
Este texto seria uma ótima introdução para um projeto de lei de plano de carreira único dentro da RFB.Todos estamos vendo o tempo passar, muitos de nossos colegas estão se aposentando; e nossos ganhos, embora consistentes, demandam muitas batalhas históricas, como a ilustração bem colocada do nobre colega. [...] O sindireceita, junto com os colegas militantes, em seus blogs, mais o apoio dos parlamentares, somado a isso o produto do trabalho árduo de excelência elaborado pelos ATRFB nas repartições da RFB, vão derrubar este muro da vergonha. [...] A mídia e os usuários dos serviços da RFB têm consciência da justeza de nosso pleito. Até Ministro depõe em público a nosso favor. O tempo vai amalgamar nossos direitos de isonomia salarial com os AFRFB e confirmar o direito dos ATRFB ao acesso às senhas de trabalho para o exercício pleno de suas atribuições para o bem da sociedade e eficiência do estado brasileiro.
Walber Ferreira dos Santos- Analista tributário lotado no AIRJ-Galeão.