Investir em ações pode ser equiparado a apostar em loteria?

Desde logo, quero dizer que, se alguém pretende construir um patrimônio que lhe possa proporcionar um futuro confortável, uma das piores escolhas - não tenho dúvidas -  é apostar em loterias (Megasena, Quina e congêneres). Vejamos por quê. A própria Caixa Econômica oferece dados sobre as probabilidades de sucesso em seus jogos. No link http://www1.caixa.gov.br/loterias/loterias/megasena/probabilidades.asp, por exemplo, relativo às probabilidades de sucesso na Megasena, pode-se verificar que as chances de acertar a sena jogando apenas um cartão são na razão de 1/50.063.860.

No link http://www.crede12.seduc.ce.gov.br/revista5/matdasorte.pdf, pode-se verificar como esses cálculos são feitos (análise combinatória).

Isso equivale dizer que, desse modo (aposta simples da Megasena), o jogador só empatará as chances de sucesso e insucesso (1/1) se jogar toda semana durante 1.042.997 anos!! Se o sujeito puder pagar a aposta máxima (15 números) toda semana, terá mais chances (embora, no estágio atual de evolução científica, as chances de conseguir viver até lá sejam nulas): 208 anos, apostando toda semana!

Apenas para se verificar o que isso significa, podemos dizer que se o valor pago semanalmente nas apostas máximas fosse aplicado durante esses 208 anos em uma conta de investimento que proporcionasse juros reais de apenas 0,5% ao mês, o jogador obteria rendimentos praticamente de R$ 1.569.911.555.759,87 (cerca de um trilhão e meio de reais!!!). Considerados os mesmos padrões de rendimento (0,5% ao mês), o valor das apostas máximas (mensalmente: 4 x R$ 7.507,50 = R$ 30.030,00) proporcionaria, em apenas 30 anos, o retorno de R$ 30.316.414,66 (cerca de trinta milhões e trezentos mil reais). Ainda que o jogador seja mais modesto, e gaste apenas um cartão de sete números (R$ 10,50) por mês, ao final de trinta anos terá perdido a oportunidade de obter rendimentos (nas mesmas condições anteriores) garantidos de R$ 10.600,14. E as chances de sucesso de ganhar na sena, nessas condições são de 1 a cada 595.998,33 anos!

Por tudo isso, entendo que apostar em jogos lotéricos é abusar muito da boa sorte. Ou então, significa querer ajudar o governo a manter os programas sociais sustentados com o dinheiro das lotéricas (mas penso que as fontes de receita de natureza tributária sejam bem mais adequadas para esse fim).

Passemos, agora, a analisar as chances de sucesso dos investimentos em bolsa de valores. Desde logo, podemos dizer que, ao contrário do que possam imaginar os que não conhecem bem o assunto, esse tipo de investimento não traduz boas oportunidades apenas para “grandes especuladores”, “tubarões” do mercado financeiro. Tampouco o fator sorte é o preponderante (embora ajude, claro). Cada vez mais, aumenta o número de investidores “comuns”, que se utilizam de “homebrokers” (viabilidade de realização de negócios de compra e venda de ações em casa, via Internet), já amplamente disponíveis em bancos e corretoras. E, entre eles, já há muitas histórias de grandes sucessos, que tendem a se ampliar, conforme esse tipo de utilização for se disseminando.

Diria que os principais fatores de sucesso na operação em bolsas são: estudo (quanto mais, melhor), informações de boas fontes (idem) e acompanhamento. O momento de entrada ou saída do mercado também é fundamental. Uma grande fonte de fracassos deriva disso: o sujeito ouve que determinada ação está tendo bons lucros e a compra quando ela já está bastante “esticada” (ou seja: em momento em que seu valor já subiu bastante, e tende a enfrentar resistências à continuidade de valorização no curto prazo). No passo seguinte, há uma tendência de realização de lucros (os que compraram tendem a vender, para assegurar os lucros). Então, o preço da ação cai. E nosso amigo que ingressou no momento errado fica assustado com a queda e vende justamente quando ela está mais desvalorizada.

Há vários perfis de investidores, de acordo com o prazo de investimento. Há desde aqueles que visam retornos quase que imediatos, os que visam retorno em alguns dias, em algumas semanas, em alguns anos. Enfim, há diversas possibilidades. Principalmente para quem tem pouco tempo para acompanhar a evolução das ações, o ideal é que busque retorno de mais longo prazo (sem deixar de estar bem informado sobre a evolução de suas ações e da economia em geral). Assim, terá mais tempo de reação, e não ficará tão envolvido emocionalmente com as variações de curto prazo (que fazem parte da natureza desse tipo de investimento).

Com o anúncio, no final da semana passada, de que a agência de classificação de riscos “Standard & Poor’s” passou a considerar o Brasil como “grau de investimento” (ou seja, em palavras simples, como um país onde há menos riscos para se investir), são grandes as chances de aumento de investimentos no País, e, portanto, de continuidade da tendência, de longo prazo, de alta do valor das ações, inaugurada no final de 2002, início de 2003 (vejam interessante gráfico em: http://www.enfoque.com.br/poster/ibovespa/view_ibovespa_enfoque.aspx).

Quando todo o mercado segue uma linha de tendência de alta, há bem maiores chances de valorização das ações das empresas, embora não se dispense que a escolha da compra de ações seja bastante criteriosa.

Embora com pouco tempo de experiência no assunto, tenho estudado bastante a respeito. Dentre tantas dicas que li, posso fazer um pequeno resumo (no link http://www.bastter.com/BR/MERCADO/Aprendizado/GrandesPensamentos/Arte_Selecao_Acoes.aspx, por exemplo, podem ser vistas algumas coleções de dicas similares):

1) Jamais invista em ações dinheiro que pretenda utilizar para algum negócio, principalmente no curto prazo. Deve-se lembrar que os riscos, em aplicações de renda variável, são inerentes à própria essência desse tipo de investimento.

2) Não há, em geral, limites para investimentos em ações. Contudo, considerando-se um valor hipotético de custos de operação (corretagem, taxas etc) de cerca de R$ 30,00 (R$ 15,00 para compra e R$ 15,00 para venda), esse valor já significa 1% de R$ 3.000,00. Ou seja, apenas para os custos da operação serem compensados, nessa hipótese, tem-se de aguardar uma valorização de 1% (o que, a curto prazo, é um tanto elevado). Por esse exemplo, dá para se ter uma idéia de que não se pode limitar muito os valores investidos. É preciso também calcular o Imposto de Renda devido em cada operação (vide: http://www.receita.fazenda.gov.br/pessoafisica/irpf/2008/perguntas/aplicfinanrenfixarenvariavel.htm)

3) Para quem tem pouco dinheiro para investir, justamente em razão do explicado no item 2, talvez o melhor, pelo menos inicialmente, seja não comprar ações de valores muito altos. No exemplo de quem começa com R$ 3.000,00, penso que o ideal seria a compra de ações com valores entre R$ 9,70 e R$ 29,70 (reservando-se, na compra de lotes múltiplos de 100 papéis – geralmente o lote mais comum –, R$ 30,00 para os custos de corretagem). Ações de menos de R$ 10,00 já entram em um campo bastante arriscado (aliás, como em quase tudo na vida, os valores mais baixos indicam, em geral – nem sempre é assim, claro – desvalorização intrínseca). Como diz a propaganda: fuja dos micos, principalmente se você é iniciante e ainda não conhece bem como avaliar os fundamentos de uma empresa (a análise fundamentalista é uma das técnicas utilizadas para verificação dos valores que devem ser atribuídos às ações de uma empresa). Para quem já é bem mais experiente, os micos – a despeito dos riscos serem bem mais elevados – podem significar boas chances de lucros, em razão de os seus valores iniciais serem bastante baixos.

4) As “blue chips” são ações de empresas de elevada reputação no mercado (Petrobrás e Vale são os exemplos atuais mais citados). São recomendáveis para quem procura mais segurança, uma vez que têm fundamentos muito bons (patrimônio e lucratividade elevados, entre eles). Embora a ação mais líquida da Petrobrás (PETR4) esteja, em relação ao início do ano, com lucratividade negativa de cerca de 2%, rendeu, em relação aos últimos 365 dias, incríveis 90,90%. Já a ação mais líquida da Vale (VALE5) rendeu, desde o início do ano, 6,33%, e, nos últimos 365 dias, 48,92%. Resta saber como será o rendimento dessas ações no novo cenário, uma vez que, mesmo antes da nova classificação do país, já eram consideradas de baixo risco (assim, para elas, consideradas individualmente, o cenário não muda muito).

5) O investidor deve sempre fazer controles de risco (não vou me aprofundar sobre o assunto, que deverá ser objeto de estudos por parte de quem quiser entrar nesse tipo de investimento). O controle mais efetivo é feito, certamente, com a utilização de “stops” (venda automática, de acordo com certos parâmetros preestabelecidos). Há muitos tutoriais na Internet (no próprio site de Leandro & Stormer, referido logo abaixo, há alguns bons tutoriais sobre o assunto).

6) Não se deve operar contra a tendência: comprar em movimentos de alta e vender em movimentos de baixa é o indicado (principalmente no início deles – descobrir o melhor tempo é que é uma verdadeira arte). Ou seja: quando a curva no gráfico começar a mudar de sentido, e se confirmar a reversão, esse é, em geral, o melhor momento para negociações (compra se a nova tendência é de alta ou venda se a nova tendência é de baixa). A questão do momento de compra é extremamente importante, qualquer que seja a ação considerada, independentemente de sua classificação (o mesmo critério deve ser utilizado indiferentemente para as “blue chips” e para as de baixo valor): o investidor deve aguardar o momento adequado de compra. Por melhor que seja a ação, se for comprada em um momento de tendência de baixa poderá significar perdas de valor do investimento até que haja reversão da tendência.

7) O investidor deve manter objetivos bem definidos, e não deve ceder à ganância: se a leitura dos gráficos indicar ser o melhor momento para a venda, deve fazê-lo de modo objetivo, racional, sem ceder à tentação de se agarrar a esperanças de lucratividades mais elevadas, sem fundamentações. O mesmo vale para ações que estão em nítido movimento de baixa. Não se deve ficar atrelado a elas, na esperança – muitas vezes vã – de que vão logo voltar a subir. Deve-se sair o quanto antes, para aproveitar movimentos altistas de outras ações (se o mercado, como um todo, estiver em baixa, o melhor é buscar outras opções de investimento, até que volte à tendência de alta). Claro que se devem estipular certos parâmetros de oscilações aceitáveis. A análise de riscos fornece boas técnicas para o estabelecimento desses parâmetros.

8) O investidor em ações deve entender bem o que são suportes (fundos), resistências (topos) e pivots (de alta e de baixa). Aprendi muito com os tutoriais de Leandro & Stormer (www.leandroestormer.com.br). Uma boa tática de investimento: buscar efetuar compras quando se diz que a ação está “sobrevendida” (ou seja: quando o mercado está cheio de vendedores da ação, para poucos compradores, em outras palavras: a oferta está maior do que a procura) e efetuar vendas quando a ação estiver “sobrecomprada” (o mercado, ao contrário, está cheio de compradores da ação, para poucos vendedores, ou, em outras palavras: demanda maior do que oferta). Isso é fácil de entender: em economia, quanto mais escasso se torna um produto, mais caro ele se torna. Quando a demanda supera a oferta, significa que se está a caminhar no sentido da escassez das ações, e, portanto, os preços tendem a se elevar até um nível no qual os vendedores começam a desconfiar que os preços não se manterão tão elevados. Daí, começam a se desfazer dos papéis. Com isso, aumenta-se a oferta e o preço cai. O mesmo ocorre, em sentido contrário, quando os preços estão muito baixos: os compradores começam a ressurgir. A demanda então aumenta, levando os preços para cima.

9) O investidor em ações deve buscar adquirir um mínimo de conhecimentos de análise gráfica (alguns seguidores da análise fundamentalista entendem ser dispensável). O melhor site gratuito que disponibiliza gráficos em tempo real das operações em bolsa é o ADVFN (www.advfn.com.br). Basta ao investidor fazer um cadastro prévio (gratuito para várias funções).

10) O site do Infomoney (www.infomoney.com.br) disponibiliza informações bastante atualizadas. Além disso, possui ferramentas muito interessantes de análises (gráficas, financeiras, fundamentalistas). Indispensável!

11) Um mínimo de diversificação é recomendável por questões de segurança, mas, também, se for utilizada com exageros pode significar perda de lucratividade (quanto maior for a carteira, maiores as chances de alguma das ações levar a média para baixo). Assim, o melhor é escolher poucas ações, mas de empresas com muito boas perspectivas de crescimento.

Em conclusão: os investimentos em bolsa de valores não podem, nem de longe, muito longe, serem comparados a apostas em loterias (há muito mais diferenças do que semelhanças entre si). Em termos de probabilidades de sucesso, ainda que considerados todos os riscos, a bolsa de valores supera, e muito (pode botar bastante ênfase nisso!), as chances de retorno do capital empregado, se for comparada com as loterias existentes. Considero as loterias existentes, aliás, verdadeiros jogos de azar (de azar mesmo: onde as probabilidades de se perder dinheiro são extremamente elevadas, conforme demonstrado). Portanto, aconselho afastamento absoluto!

Do outro lado, os investimentos em bolsa, desde que realizados criteriosamente, são um excelente modo de se empregar o capital disponível (não destinado a algum outro propósito em especial).

Com o crescimento da economia brasileira, e com a disseminação da utilização de homebrokers, o cidadão comum terá, cada vez mais, boas chances de investir seu dinheiro em ações que produzam bons rendimentos, sobretudo se procurar estudar o assunto e se mantiver bem informado.

Abaixo, relaciono alguns links de interesse para estudo dessa modalidade de investimento (começo pelos já citados – não estão ordenados):

1) www.leandroestormer.com.br;
2) www.advfn.com.br;
3) www.infomoney.com.br;
4) http://iniciantenabolsa.com;
5) www.cjb.com.br (Canal Jovem da Bolsa – excelentes dicas para escolhas de ações);
6) www.plktrader.com (Pelicano Investidor – estudos e informações de interpretação de indicadores);
7) http://www.4profit.com.br/ ;
8)http://www.projecao.com.br/cgi-bin/paginas.pl?endweb=videoaulamktclique&pghtm=downloads-curso-bovespa&ct=0 (vídeo-aula gratuito);
9) http://www.analistademercado.com.br;
10) http://br.advfn.com/p.php?pid=fbb_thread&cg=1&bb_id=11&id=1029000&from=21 (aprendizado sobre day-trade);
11) http://www.bullicastelo.com/ (aulas gratuitas)
12) http://bussoladefinancas.blogspot.com;
13) http://www.daltonvieira.com;
14) http://www.youtube.com/profile_videos?user=andersonfeluz (tutoriais em vídeo, no YouTube)
15) http://www.guiadeinvestimento.com.br;
16) http://www.ondeinvestirbylopesfilho.com.br;
17) http://br.invertia.com;
18) http://www.investshop.com.br;
19) http://www.nelogica.com.br (inclusive estudos sobre indicadores);
20) http://www.shopinvest.com.br/br/pop_calculadora.asp (cálculo do primeiro milhão);
21) http://www.oinvestidor.com.br
22) http://barbolo.polinvencao.com/ (disponibiliza um apostila muito boa)
23) http://www.maraluquet.globolog.com.br/

…. (há muitas outras fontes de estudos e informações pela rede – costumo utilizar o Google  - www.google.com.br para procurá-las.)